Recordo-me de alguns livros que me cativaram de tal modo
que os li de forma doentia, sem conseguir tirar os olhos de cada palavra.
Um desses livros foi os Maias de Eça de Queiroz, lido aos
17 anos numa sessão de leitura que se estendeu por 3 dias seguidos. A leitura
foi apenas interrompida para satisfazer necessidades alimentares. Posso estar a
mentir, mas creio que nem sequer tomei banho entre o início e o final desta
obra, digna de figurar no Olimpo literário nacional. Para mim o Eça, será
sempre o Grande Eça (li recentemente "A Relíquia", deixo comentários
para futuro post).
Outro livro que me cativou foi "O Velho e o
Mar" de E. Hemingway (tinha se não me engano 20 anos). Li-o integralmente
numa sessão de vespassienne non publique (i.e. sessão de WC para satisfação de
necessidades fisiológicas) que se prolongou por 5h. Ainda bem que o livro era
curto, caso contrário este acto de avidez literária poderia ter contribuído
para que padecesse de um hemorroidas o resto da minha vida.
Sinceramente, hoje não compreendo por que razão me senti
cativado por este livro, talvez a minha admiração por homens com barba (e EH
tinha de facto um belo exemplar deste assessório) ou talvez a minha fixação por
indivíduos com destinos trágicos. Who knows?
Tudo isto para partilhar que li no fim-de-semana
passado “A Grande Arte” de Rúben Fonseca. Li-o em menos de 24h e só consegui
interromper para dormir 3h e comer algo. RF tem um estilo de escrita acessível,
conseguindo povoar o seu texto de referências literatas sem nunca ser pedante.
O enredo, a densidade psicológica das personagens principais e tantas coisas
que não consigo nomear, contribuíram para mais um período de doença de leitor
obsessivo.
A Grande Arte
Rúben Fonseca
Sextante Editora
3ª edição, Março 2013

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